11 de nov de 2010

Admirável Zé Ramalho

Zé Ramalho
Apesar de ser reservado, em vez de frequentar programas de televisão todos os domingo, e de ter optado por cantar a densidade das relações pessoais e as impressões sobre a complexidade do mundo, em vez de refrões chicletes e vazios, Zé Ramalho mantém sua música viva na memória de grande parte dos brasileiros, de forma admirável. Proezas como essa, somente artistas respeitados e de estirpe conquistam. Aos 61 anos, o cantor contabiliza mais de 20 álbuns lançados e uma lista enorme de sucessos, muitos dos quais devem ser cantados em coro hoje à noite, na All Need Master Hall, em Caxias do Sul.
Zé Ramalho está comemorando 40 anos de carreira. Tudo começou na década de 1960, quando participou de alguns “conjuntos de baile” na época da Jovem Guarda. Muitas de suas influências surgiram neste período. Além de todo o pessoal que comandava a cena musical no Brasil, o paraibano conheceu também a sonoridade de artistas como Beatles, Rolling Stones e Pink Floyd.
Com a carreira consolidada, o músico voltou às raízes e resolveu brincar com a arte de outros mestres. Já há algum tempo, ele não lança um CD de composições inéditas de sua autoria (o último é O Gosto da Criação, de 2002). Na lista dos músicos que foram homenageados pelo cantor ao longo de sua trajetória estão Raul Seixas, Luiz Gonzaga e até mesmo Bob Dylan. O perfil heterogêneo das influências dá a dica sobre o que também pode ser ouvido no trabalho autoral do paraibano.
O último CD de Zé Ramalho festeja a brasilidade e recria canções do ritmista Jackson do Pandeiro. É a turnê deste álbum que o músico deve apresentar em Caxias. O show promete uma aula sobre história da música, comandada com voz grave e destaque para os capítulos escritos pelo próprio Ramalho, com clássicos como Admirável Gado Novo, Avôhai e Chão de Giz.


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