25 de ago de 2010

Um dos melhores álbuns de Dylan


Bob Dylan - Desire [1976]



Que Bob Dylan é um dos maiores poetas da história do rock, isso não é segredo nenhum para ninguém, sendo um dos principais nomes dos anos 60, com suas letras tendo ácidas críticas políticas e sociais. Mas nos anos 70, eis que o mesmo sai de cena e passa a produzir discos muito abaixo dos apresentados na década anterior, desagradando a crítica e muito do seu anterior público, com poucos destaques na primeira metade dessa década, sem falar pelos problemas pessoais que passava em seu casamento.

Mas no dia 5 de Janeiro de 1976 isso viria a mudar, com o lançamento de seu melhor disco lançado nesta década e talvez um dos melhores de sua carreira, o clássico 
“Desire”. Tendo como parceiro Jacques Levy na composição de sete músicas, temos letras sofisticadas, contando histórias e com andamento longo, guiadas pelo violino quase que cigano de Scarlet Rivera, que Dylan conheceu andando de carro, ao vê-la andando com seu violino dentro do case.

E as canções são grandiosas, sendo que isso já pode ser visto na espetacular
“Hurricane”, onde Dylan nos conta a história de Rubin "Hurricane" Carter, um lutador que foi acusado injustamente de um crime que não cometeu, pelo fato de ser negro, tendo a história contada em detalhes, com nome dos envolvidos e a maneira que seu julgamento foi mal conduzido, inclusive tendo apenas brancos no júri em uma época que a segregação racial dominava a situação, o que fez que o julgamento fosse tendencioso, injustiça que foi reconhecida em 1985, com a liberdade concedida ao personagem. Seus quase nove minutos hipnotizam, e os violinos dão um toque especial a música. Um dos grandes clássicos da história do rock.


Bob Dylan e Scarlet Rivera, que rouba a cena neste album


Mas não para por aí, temos outras músicas que chamam a atenção, como a polemica e grande balada “Joey”, em que Dylan retrata o gangster Joey Gallo, que Dylan considerava um homem de valores, pois pregava a paz entre os negros, se recusava a matar pessoas inocentes e em uma ocasião defendeu a sua família de ser morta em um restaurante. A letra e a interpretação são surpreendentes e que mostram toda a capacidade intelectual e de composição que a dupla Dylan/Levy tinham a oferecer

O grande momento do disco na opinião desse que vos escreve se dá na bela
“Romance in Durango”, que inclusive teve uma versão em português na voz de Raimundo Fagner. A canção que conta a história da fuga de um casal em busca da felicidade após matarem uma pessoa por engano, e retrata seus medos e esperanças durante a viagem de fuga que ocorre. A beleza na interpretação da música é algo que assusta, e a execução que a banda tem é sublime, nos fazendo imaginar que estamos no velho oeste americano, observando toda a cena descrita na letra da música.

Encerrando esta pérola, temos 
“Sara”, onde Dylan faz um quase que uma súplica desesperada para sua esposa, com a qual estava passando por um momento turbulento no casamento, sendo que o mais bonito é que Dylan sai de seu personagem e aborda seu lado real, com uma biografia fidedigna do relacionamento entre os dois, mas que infelizmente não adiantou muito, visto que um ano depois ela pediu o divórcio, devido a instabilidade no relacionamento dos dois. Ô coisa complicada esse negócio de amor!

Fazendo um resumo da ópera, um dos grandes discos da história não só do rock, mas da música e que mostra o porque de Dylan ser tão reverenciado e influente no meio musical e ter tantas músicas suas coverizadas por outros grandes artistas.



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